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Impostos e mais impostos: Income Tax Cocktail

Abril é um mês triste pra muitos brasileiros. É aquela hora de pegar as contas, somar os bens, e ver o tamanho da mordida do leão no seu dinheiro.

Se você beber antes de fazer seu imposto de renda é isso que acontece.

Disclaimer: dizem que existem certos assuntos que jamais devem ser comentados em um bar. Religião, política e economia estão entre os top depressão. Felizmente, isso aqui é um blog, não um bar, então eu posso comentar sobre o que eu quiser e deixar todos tristes. Relaxa, eu compenso com umas receitas boas pra vocês afogarem as mágoas depois.

Devo, não nego

O motivo de existirem impostos é simples de entender: o governo mantém o país em ordem com o dinheiro que arrecada através das taxas cobradas sobre produtos, renda, e etc (ver abaixo como etcétera pode ser muito interessante).

Os antigos egípcios já cobravam impostos em 3000 AC, obrigando os súditos dos faraós a trabalhar de graça. Segundo a Bíblia, os camponeses deviam dar um quinto dos grãos colhidos ao faraó. Brasileiros, invejai, porque o imposto de renda retido na fonte do seu salário pode ir até 27,5%. O império persa tinha sistemas similares, e praticamente todos os governos desde então usam alguma forma de taxação do tipo.

Egípcios sendo pegos na malha fina. Trabalhador só se ferra.

Hora de beber! Digo, de fazer leis

Fora os impostos de sempre (renda, venda de produtos, importação), certos governos adotaram impostos menos usuais. Vou listar uns, e vocês me digam se foram feitos antes ou depois de uma noitada no bar:

  • Drogas ilegais: No Tennessee (estado dos EUA) se você comprar drogas ilegais, deve ir até o Department of Revenue mais próximo e pagar o imposto, após o que será afixado um adesivo na sua pedra de crack mostrando que você já pagou. Se você for pego pela polícia, vai preso E TEM QUE PAGAR MESMO ASSIM.
  • Dedução de impostos sobre brinquedos eróticos: Na Austrália, prostitutas, strippers, e outros dançarinas exóticas podem pedir dedução de imposto de renda sobre os sex toys que comprarem. Precisa pra trabalhar né. Imagino se tem que especificar os detalhes do brinquedo no imposto: “tipo de bem 69, pinto de borracha, preto, 50cm”.
  • Baralhos: Baralhos de cartas de não mais do que 54 cartas no Alabama são taxados em 10 centavos. Ninguém sabe porque, mas vale até hoje. As lojas tem que pagar uma taxa anual de 3 dólares, novamente sem motivo. Truco.

Sabe como essas leis (e outras babaquices governamentais por aí) são aprovadas? Por causa do imposto. Não o de dinheiro, eu me refiro ao Income Tax Cocktail mesmo.


Income Tax Cocktail

  • 2 oz gin
  • 0,25 oz vermute seco
  • 0,25 oz vermute tinto
  • 1 oz suco de laranja
  • Angostura a gosto (eu gosto de 3 dashes/gotas)
Bate tudo na coqueteleira, e coa em uma taça de coquetel gelada, enfeitando com um twist de laranja.

Não misturem impostos com remédio com álcool, crianças.

Se você prefere impostos irlandeses ou escoceses, pode substituir o gin por 1,75 oz de scotch ou Irish whiskey, e usar suco de grapefruit no lugar da laranja. Se o que te apetece é o leão da Receita brasileira, 1,5 oz de cachaça, meia onça de cada vermute e gotas generosas de bitter de laranja (preferencialmente Gary Regan’s #5) podem ser uma boa. Lembrando que ao substituir bebidas dessa forma, sempre dose com cuidado os outros ingredientes, e experimente tudo separadamente antes pra ter uma idéia das proporções.

Aproveite essa época de impostos (os alcóolicos pelo menos), e cuidado com a malha fina!

 
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Publicado por em abril 17, 2012 em Drinks, Gin

 

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Não tomaria esses pra tosse não : Xaropes

Melhor parte da infância: ficar doente. Você não ia pra escola, ficava em casa assistindo TV (e na infância TV = desenhos) e ainda tomava aqueles xaropes docinhos. A menos que sua mãe fosse sacana e te desse os amargos, invertendo toda a situação.

Esse tem cara de ser de cereja. No final das contas era tudo puro açúcar.

Puro açúcar

Xarope vem do árabe sharab, que significa bebida. Um xarope é basicamente uma solução de açúcar dissolvido em água. O açúcar dissolvido forma pontes de hidrogênio com as moléculas de água, tornando o líquido viscoso. O termo também é usado pra designar outras soluções viscosas de alguma substância em água. Originalmente usado como base para remédios, o xarope servia pra esconder o gosto ruim (provavelmente horrível) dos princípios ativos.

Na coquetelaria, o uso de um xarope é bastante óbvio: adoçar drinks. Um uso secundário mas importante é prover textura diferente, no caso de xaropes mais grossos ou xaropes de goma (que levam goma arábica na composição, além de açúcar e água). Usar um xarope de açúcar sem mais sabores (também conhecido como xarope simples ou simple syrup) no lugar do açúcar puro tem uma grande vantagem: açúcar não dissolve bem em líquidos gelados como drinks. Usando açúcar, você vai ter que bater ou mexer o coquetel por muito mais tempo para dissolver tudo, e ainda corre o risco de ficar tudo no fundo e estragar o drink. Visto isso, a maior parte dos drinks que levariam açúcar ficam melhores com xarope simples, com algumas exceções (na caipirinha por exemplo, o açúcar cristal agride a casca do limão durante a maceração e libera óleos importantes para o sabor da bebida).

Fazer xarope simples é muito fácil, como o nome indica.


Xarope Simples

  • 1 parte de água
  • 1 parte de açúcar

Misture partes iguais de água e açúcar numa panela em fogo médio, e misture até dissolver todo o açúcar.


Com essa receita você pode fazer todo tipo de bebidas, de sours a Old-Fashioneds. Usando açúcar demerara ou mascavo resulta em xaropes mais escuros e com sabores diferentes. Você também pode substituir o açúcar por mel (que também é difícil de dissolver em sua forma original). Outra opção é usar uma parte de água pra duas de açúcar e fazer um xarope mais viscoso.

Xarope simples? E o complicado?

Claro que você, caro leitor aficionado, já deve ter visto drinks com xaropes de frutas como morango ou melancia, ou até coisas mais exóticas como especiarias. Como fazer esses aí?

Bom, frutas são fáceis:


Xarope de Fruta

  • 1 parte de água
  • 1 parte de açúcar
  • 1 parte de fruta a escolha

Misture partes iguais de água e açúcar numa panela em fogo médio, e deixe até ferver. Adicione a fruta cortada (ou inteira no caso de frutas pequenas como blueberries, ou a polpa pra tamarindos, ou cascas de frutas cítricas, bem, da pra entender) e cozinhe até pegar o sabor, de 5 a 10 minutos geralmente. Experimente o xarope se estiver em dúvida, com cuidado pra não se queimar. Se usar sucos, misture tudo desde o começo e só deixe até dissolver o açúcar. Lembre-se que após retirar o xarope do fogo ele ganha um pouco de viscosidade ao esfriar.


Usar especiarias como canela ou cardamomo também é possível, mas requer um pouco mais de experimentação. A medida de especiaria vai variar com o ingrediente sendo usado. Pra canela basta usar de um a três paus de canela. Para cardamomo use cerca de 6 grãos, levemente amassados antes, por copo de água/açúcar. Com gengibre, um pedaço de uns 2 cm cortado em lascas para cada dois copos de água/açúcar. Procure não usar especiarias em pó, pois é difícil coar depois, e restos sólidos no xarope podem alterar seu sabor.

Nada contra as marcas de xarope comerciais, mas fazer o seu próprio fica muito melhor.

Com seus xaropes prontos, engarrafe em garrafas de vidro (aproveite as que sobram de bebidas, bem lavadas claro), tampe bem, e guarde em geladeira por até 3 meses. Aproveite as receitas simples e faça xaropes diferentes: açúcar demerara e limão com blueberries, ou mel e flores de sabugueiro, ou até mesmo açúcar mascavo e garam masala. Que tipo de drinks você faria com esses xaropes? Diga nos comentários!

 
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Publicado por em fevereiro 9, 2012 em Infusões, Xarope

 

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Remédio pra todos os males: o Gin

Houve um tempo em que extrair essências de ervas com álcool era a solução para todos os problemas de saúde que podem acometer uma pessoa. Eventualmente descobriu-se que a peste negra também matava bêbados, mas até essa triste constatação foram desenvolvidos elixires variados que hoje são essenciais para nossos bares e coquetéis. Um desses remédios, feito com ervas e bagos de zimbro, é o tópico do post de hoje.

“Manhê, tô com peste.” “Tá bom filho, vai lá no mercado e traz um Beefeater.”

Elixir medicinal

No século 14, a raça humana se deparou com um probleminha de cunho infeccioso: a Peste Negra. Vinda em ratos nos porões de navios, a doença matou cerca de um quarto da população mundial. Os “médicos” da época tentaram muitas curas, incluindo infusões de várias ervas em álcool destilado. Cascas de laranja, folhas de angélica, anis, coentro, açafrão, bagas de zimbro, todos os anteriores juntos. Nada adiantou, e as pessoas morreram do mesmo jeito, mas os elixires ficavam com um aroma bastante agradável.

Três séculos depois, ainda se usava certas infusões para tratar lumbago e gota, entre outras doenças. Essas bebidas alcoólicas primitivas também eram usadas por soldados holandeses para se acalmar antes de batalhas, a chamada coragem holandesa ou líquida (essa você conhece não?). Quando um rei holandês ocupou o trono britânico na Revolução Gloriosa, ele trouxe consigo o genever (palavra holandesa pra zimbro, que era usado na infusões) e a bebida se alastrou pelo país. Pra melhorar, o governo aplicou um imposto imenso sobre bebidas importadas e permitiu a produção sem licensa de destilados.

Com a facilidade de produção e o mercado cheio de grãos de baixa qualidade, que não eram utilizados para produzir cerveja, subitamente todos os lugares vendiam gin. Associado à população pobre, o gin virou sinônimo de bêbados e era conhecido como a “ruína das mães”. Foram necessárias duas leis taxando a bebida para que o consumo diminuísse.

London dry

No século 19, novos métodos de destilação trouxeram um novo estilo de gin: o London Dry. Produzido com uma série de ervas, cascas de frutas cítricas e claro, bagas de zimbro, o gin melhorou de qualidade. Surgiram drinks como o Gin Tonic (que originalmente era uma forma de administrar quinino a pacientes com malária nas colônias britânicas), e o gin passou a ser consumido por uma parcela cada vez maior da sociedade.

Nos EUA, o gin ganhou força durante a Lei Seca por ser fácil de produzir: enchia-se uma banheiro de álcool (de baixa qualidade, dada a época) e adicionava-se óleo de zimbro e outras especiarias para mascarar o sabor. Inúmeros coquetéis surgiram nessa época, de forma a esconder o sabor do gin de baixa qualidade.

“Mas pai, a mãe tomou banho aí!” “Pior não vai ficar. Cala essa boca e enche as garrafas!”

Elixires modernos

Hoje o gin é uma das bases mais importantes da coquetelaria. Existem muitos gins de qualidade no mercado, com uma base comum (o zimbro e as notas cítricas) e infusões que podem levar a aromas e sabores muito distintos. Mixers comuns a drinks com gin são vermutes, que realçam os aromas do gin enquanto tiram um pouco da força do álcool (gin costuma ter de 41% a 55% de teor alcoólico), frutas cítricas como limão e laranja, e amargos como Campari e água tônica. Nesse post veremos coquetéis que usam as duas primeiras opções: o famoso Dry Martini, e um outro clássico não tão comum, o Aviation.


Dry Martini

  • 2,5 oz de gin
  • 0,5 oz de vermute seco
  • Azeitona ou twist de limão, pra garnish

Complete um mixing glass, ou sua coqueteleira, com gelo. Adicione o gin e o vermute, e mexa bem com uma colher longa ou bailarina. Sirva numa taça de martini resfriada, com uma azeitona ou twist de limão. Se preferir, adicione algumas gotas de bitter de laranja.


O melhor drink do mundo.

Existem muitas formas de preparar um Dry Martini. Um ditado famoso sugere que caso você se perca em uma floresta, basta sentar e preparar um Dry Martini que logo alguém aparecerá para dizer que as proporções estão erradas. O uso de garnish e bitter também é motivo de longos debates acalorados entre os entusiastas. Minha receita é apenas a minha versão preferida (eu uso o twist de limão).


Aviation

  • 2 oz de gin
  • 0,5 oz de licor de maraschino
  • 0,5 oz de suco de limão siciliano
  • Dash de creme de violette (opcional)

Bata todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo e sirva em uma taça de martini.


Embora as receitas mais comuns usem uma cereja, prefiro o ramo de alecrim pelo aroma.

As proporções aqui variam bastante com o licor de maraschino. Se você usar um licor muito doce ou muito seco, ajuste o suco de limão de acordo para balancear o sabor.

Seja com muito vermute ou apenas a sombra da garrafa sobre o copo, e com ou sem licor de violeta, esses drinks são o pontapé inicial para seus experimentos com gin. Como vai ser o seu Martini?

 
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Publicado por em janeiro 24, 2012 em Gin

 

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Limas e limões: frutas cítricas

Não precisa ser o gênio da mixologia pra ver que frutas cítricas são um componente essencial de várias categorias de coquetéis. Dependendo da escolha de fruta e do uso de casca ou suco, você tem mixers azedos, amargos ou doces, que balanceiam quase qualquer coisa.

Frutas cítricas

Exercício pra casa: quantos daiquiris e whiskey sours dá pra fazer com essas frutas?

Aula de biologia

O gênero Citrus é composto de várias plantas com frutas de aroma agradável (devido ao composto aromático limoneno) e suco geralmente azedo devido à presença de ácido cítrico. A maior parte das frutas cítricas possui uma casca externa colorida que contém os compostos aromáticos, uma região branca amarga e um interior com pequenos gomos de onde é extraído o suco.

Além do ácido cítrico, também encontramos grandes quantidades de ácido ascórbico (vulgo vitamina C) no suco dessas frutas, o que as torna parte importante da dieta humana. Falta de vitamina C leva a escorbuto, uma doença potencialmente letal e nem um pouco legal de se ver. Marinheiros de antigamente frequentemente contraíam escorbuto devido às longas viagens de barco. Quando foi descoberto o efeito do suco de frutas cítricas sobre a doença, todos os barcos subitamente ganharam quantidades mínimas de suco por membro da tripulação, e o problema foi resolvido.

Bem, não imediatamente, porque ninguém quer tomar suco de limão puro durante meses de viagem no mar. A solução foi misturar o suco ao que os marinheiros já bebiam, ou seja, rum/aguardente/gin. É isso aí crianças, a sobrevivência do comércio entre colônias e a descoberta de novas terras foram regados a todo tipo de sour. Pense nisso quando tomar seu daiquiri.

Suco de meio limão

Nos posts anteriores essa frase foi uma das mais comuns entre os ingredientes de coquetéis. O azedo do limão é na minha opinião a forma mais simples de se balancear um sabor doce (ou seja, quase qualquer licor), seguido de sabores amargos usados com moderação. Além disso, em um país quente como o Brasil, frutas cítricas deixam o coquetel mais leve e mais refrescante.Vejamos as frutas mais comuns e alguns de seus usos:

  • Limão tahiti: pequeno, verde e muito azedo, o limão tahiti é o mais comum no Brasil e é usado mais pelo sabor do que pelo aroma. Útil quando se deseja que o sabor final tenha aquela pontada ácida de um daiquiri, por exemplo.
  • Limão siciliano: maior, amarelo e menos azedo. O limão siciliano possui casca com aroma forte e suco menos ácido que seus irmãozinhos verdes, e costuma ser usado em drinks com bases envelhecidas (uísque, brandy) e na preparação de ingredientes mais aromáticos (como limoncello ou vodkas cítricas). Uma espiral da casca pode ser usada como garnish, e esfregada na borda do copo para aromatizar a superfície do drink.
  • Laranja comum: todo mundo conhece. Sex on the Beach, Tequila Sunrise, Bronx, mil coquetéis usam suco de laranja, frequentemente para completar highballs. Um truque interessante ao servir coquetéis com um garnish de casca de laranja é apertar a casca e aproximá-la de um isqueiro. O fogo acende os óleos liberados na casca, para um efeito visual impressionante.
  • Lima-da-pérsia: ame-a ou deixe-a, possui aroma de desinfetante para seus detratores. Usada com parcimônia, dá uma ótima caipirinha e sua casca pode infundir bases (vamos ver um uso mais a frente). Harmoniza bem com sabores picantes, como pimenta rosa ou dedo-de-moça.
  • Tangerina: doce e azeda, a tangerina fica entre a laranja e o limão. Frutos mais doces podem fazer variações interessantes dos coquetéis mencionados para a laranja, enquanto frutos azedos são usados em sours.
  • Grapefruit: suco pouco azedo e amargo, é muito usada juntamente com o suco de laranja. Como o limão siciliano, sua casca é muito aromática e pode ser usada em infusões e garnishes.

Além dessas frutas mais comuns, temos opções mais exóticas como a laranja-lima (suco doce) e a laranja kumquat ou kinkan, pequena, de casca doce e interior levemente amargo.

Devo dizer que é preciso coragem pra usar o Ctulhu em um coquetel.

Pra ilustrar os usos acima temos o primo mais complexo do Kamikaze (vodca, limão e triple sec), o Shin Kamikaze:

  • 1,5 oz de vodca de lima-da-pérsia
  • 1 oz de Cointreau
  • 0,5 oz de suco de limão siciliano

Para preparar a vodca de lima-da-pérsia, remova a casca de uma lima usando um ralador fino, tomando cuidado para não remover a parte branca. Coloque a casca em um copo com até 2 oz de vodca e deixe descansar por pelo menos 30 min. Você pode tostar a casca rapidamente em uma frigideira para acelerar o processo, mas não deixe queimar ou o drink ficará amargo. Após infundir a vodca, misture os outros ingredientes e bata com gelo.

Difícil ser mais cítrico do que lima-da-pérsia com laranja com limão.

Esse drink abre espaço para experimentos com outras infusões e sucos de fruta, procurando sempre usar cascas mais aromáticas e sucos mais azedos. Também é possível usar outros licores, como limoncello. Deixe sua idéia de drink cítrico nos comentários!

 
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Publicado por em janeiro 11, 2012 em Infusões, Vodca

 

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Uva, carvalho e fogo: Brandy

A coquetelaria e a uva andam de mãos dadas. Vinhos são a base de vários drinks, espumantes dão textura a coquetéis classudos, e vermutes equilibram de gin a scotch. Logo, não é de se surpreender que o primo mais forte dessas bebidas mereça seu próprio post.

Pra abandonar assim uma taça de brandy devia ter Dreher dentro.

Pegue sua taça de fundo largo favorita, bote aquele VSOP que você ganhou de presente de um parente rico, e leia mais sobre o brandy.

Uva e Carvalho

A história do brandy se confunde com a da destilação. Originalmente, destilava-se vinho para preservá-lo e para facilitar o transporte por mercadores. Depois era só adicionar a água tirada na destilação e obter de volta o mesmo vinho… certo? O vinho destilado era transportado em barris de madeira, por longos períodos, e quando os barris eram abertos, os mercadores notaram que o vinho destilado tinha um sabor muito diferente do original. Logo o “spirit of wine” ou brandy se tornou uma bebida por si só, e passou a ser produzido nas regiões vinícolas da Europa.

Brandy vem de “brandewijn”, ou vinho queimado em holandês. Assim como o vinho do qual deriva, o sabor e aroma variam muito com as uvas utilizadas. De certa forma o brandy é similar ao uísque: fabricantes diferentes possuem uvas/maltes diferentes, e isso leva a produtos variados. Características comuns a todos, no entanto, existem: notas defumadas e de madeira, e aquela sensação de descer queimando (que só é ruim nas bebidas de baixa qualidade).

Os brandies mais famosos vem da França e da Itália. Brandies produzidos na região de Cognac na França tem denominação protegida (assim como espumantes de Champagne). No entanto, no Brasil o termo conhaque é frequentemente usado para descrever qualquer brandy, da mesma forma que champanhe pode ser qualquer vinho espumante.

Fogo e mixers

O brandy se encaixa na coquetelaria de forma muito similar ao uísque. Os coquetéis são preparações simples, com poucos ingredientes que realçam o espírito, frequentemente com bitters. Triple sec e creme de leite também são comuns, e alguns drinks com brandy são acesos com um fósforo ao servir, aquecendo a superfície da bebida e liberando o aroma do espírito.

Pra ilustrar o que já sabemos sobre Brandy, vamos ver um drink clássico em sua versão original, e outro drink clássico com uma nova roupagem. O primeiro é o Brandy Alexander.

  • 1 oz brandy
  • 1 oz creme de cacao (o escuro)
  • 1 oz de creme de leite

Bata todos os ingredientes em uma coqueteleira e sirva em uma taça de martini, com um pouco de noz moscada moída. O Brandy Alexander é um bom exemplo de equilíbrio em um coquetel. O brandy tem sabor forte e graduação alcoólica alta, portanto usamos doses iguais de ingredientes pesados e doces de forma a aplacar o espírito.

Troque a noz moscada por canela ou cravo e veja como um garnish faz a diferença no drink.

O segundo drink é uma variação do Sidecar, que nada mais é do que um sour usando cognac e triple sec. Vamos usar aquele limoncello que já foi tema de um post do blog pra fazer uma versão italiana do Sidecar, o Carrozzino.

  • 1,5 oz de brandy
  • 1 oz de limoncello
  • suco de meio limão

Novamente, basta bater tudo na coqueteleira com gelo e servir com um twist de limão siciliano. O Sidecar tem a mesma receita, com triple sec no lugar do limoncello. Experimente os dois e veja a diferença.

Como já foi dito antes, os drinks com brandy variam muito com o espírito usado. Brandies mais doces usariam menos licor em um Sidecar ou Carrozzino, enquanto um brandy muito seco precisaria de mais. O ideal, como sempre, é experimentar seus ingredientes e estimar quanto será necessário de cada um para atingir o equilíbrio no drink.

Como ficou seu Sidecar? Tem uma versão de outra nacionalidade pra compartilhar? Deixe seu comentário!

 
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Publicado por em dezembro 28, 2011 em Brandy

 

Licor caseiro 101: limoncello

No último post, eu mostrei como fazer seu próprio orgeat. A experiência de fazer meu próprio mixer foi tão divertida que decidi fazer de novo, com algo mais complexo: meu próprio licor.

Só vai precisar de uns desses, nada muito difícil.

O escolhido foi um licor caseiro clássico do sul da Itália, que é muito bom tanto em coquetéis quanto puro, bem gelado: o Limoncello.

Se a vida te der limões

Limoncello é um licor de limões sicilianos, de coloração amarela e sabor de limão mas doce (como só se usa a casca do limão, o licor não é azedo). A bebida tem mais de 100 anos de história, e é feita de forma caseira por muitas famílias na Itália e no mundo. Como é de se esperar, existem toneladas de receitas diferentes, que geram limoncellos mais doces, mais amargos, ou mais alcoólicos. Vamos fazer uma receita simples, que pode depois ser modificada para adequar a bebida ao gosto do leitor.

Minha experiência com limoncello no Brasil é variada: já experimentei uma marca importada, que era meio amarga (pro bolso também) mas resultava em bons drinks. Já uma marca nacional, mais barata, era boa no início mas envelheceu na garrafa (tampada!) e ficou adstringente.

Momento saúde

Pesquisas indicam que fazer limoncello faz muito bem à saúde: o exercício que você vai fazer ralando os limões vale umas duas idas à academia.

Limoncello antes de gastar 5000 calorias.

A receita é simples (rende 750ml):

  • 10 limões
  • 375ml de vodca ou álcool de cereais
  • 1,75 xícaras de água
  • 1,25 xícaras de açúcar

Com um ralador ou descascador, tire a casca dos limões (deixe a parte branca). Coloque a casca ralada num pote grande de vidro, e misture a vodca ou álcool de cereais (álcool de cereais pode ser encontrado em lojas de culinária ou de perfumes/sabonetes). Mexa bem, tampe, e deixe descansar em um local fechado por duas semanas. Mexa de vez em quando. Depois de duas semanas de infusão, coe usando um filtro de café, e coe novamente pra não deixar nenhum resíduo sólido. Misture a água e açúcar numa panela em fogo médio até que o açúcar se dissolva completamente, deixe esfriar, e misture no líquido coado. Mexa bem, e sirva bem gelado!

Pronto pra ficar duas semanas te dando vontade.

Com seu licor pronto, faça umas experiências com drinks (sou bastante fã de usar no lugar do Cointreau ao fazer uma Margarita ou outro sour) e aprecie nas tardes quentes de verão, bem gelado.

Tenho mais projetos DIY engatilhados, incluindo xaropes de outras frutas, tinturas de canela e pimenta-da-jamaica e licor de gengibre, que conforme forem feitos serão postados por aqui. Fiquem de olho!

 
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Publicado por em dezembro 13, 2011 em Infusões, Vodca

 

Barco, guarda-chuva e amêndoas: Tiki Drinks

Segundo a física, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Claramente os físicos nunca tomaram um tiki drink.

Olha esses garnishes. É tanta coisa junta que deve ter seu próprio campo gravitacional.

Além de esculachar a física, os Tiki Drinks (ou boat drinks) são um exercício de coquetelaria. Tem drinks com quatro licores, com 3 sucos (de frutas tropicais!), e xaropes de amêndoas de dois tipos. Balancear tudo isso não é nada fácil!

No Caribe

Drinks dessa categoria já existiam, segundo alguns relatos, desde 1920. Viajantes descreveram drinks com rum e sucos tropicais, que na época eram chamados de swizzles, e não tinham a mesma complexidade dos drinks atuais. A popularização dos tiki drinks como são hoje se deu entre 1940 e 1970, com a volta dos soldados americanos estacionados no sul do Pacífico. De lá eles trouxeram a “cultura tiki”, que nos EUA (e depois no resto do mundo) virou restaurantes com tochas, desenhos Polinésios em madeira e pedra, e drinks exóticos.

Dois dos grandes criadores da cultura tiki são Donn Beach e Trader Vic, que abriram cadeias de restaurantes (que existem até hoje), destilarias (que produzem rum, claro) e bares. Os dois inventaram drinks que definem a categoria, como o Zombie e o Mai Tai, e uma briga pelos créditos do segundo tornou os dois rivais. Os designs das redes de restaurantes de ambos virou o padrão tiki, e até hoje é usado na vida real e em filmes pra representar (ou parodiar) um clima tropical.

Agora você sabe porque os drinks são exagerados.

Tiki Drink DIY

Não é fácil fazer um tiki drink. Montar uma receita que evoque o espírito tiki do zero é dificílimo, porque são muitos sucos e licores nas receitas mais conhecidas. Mesmo com uma receita pronta, quem tem em casa rum jamaicano envelhecido e todos os licores e xaropes que costumam aparecer? Felizmente, existem receitas mais possíveis que usam bebidas mais comuns. O que não dá pra substituir são os xaropes: orgeat e falernum.

Orgeat e falernum são xaropes de amêndoas, com água de flores (orgeat) ou tons cítricos (falernum). Nunca vi nenhum dos dois pra vender no Brasil, e importar uma garrafa de um fornecedor na França ou no Caribe custa o olho da cara. A solução é fazer você mesmo, no conforto do seu lar.

Vou ensinar uma receita simples pro orgeat (falernum virá em um post futuro), que usa amêndoas comuns e tem o sabor bastante similar ao orgeat de verdade. Você vai precisar de:

  • 2 xicaras de amêndoas sem sal com casca fatiadas
  • 1 1/2 xicaras de açúcar
  • 1 1/4 xicaras de água
  • 1 colher de chá de água de flor de laranjeira (tem em lojas de culinária)
  • 1 oz vodka

Toste as amêndoas numa panela em fogo alto, depois pulverize num liquidificador. Misture o açúcar e a água em uma panela em fogo médio até o açucar dissolver completamente e a mistura ferver. Adicione as amêndoas e cozinhe em fogo baixo até um pouco antes de ferver, mexendo sempre. Tire do fogo e deixa descansar por 3 a 12 horas em recipiente tampado. Adicione a água de flor de laranjeira e a vodka, misture, e coe usando um pano fino ou coador de malha fina, coando outra vez se preciso. Engarrafe e guarde em local fechado.

Com seu orgeat caseiro em mãos, vamos fazer um Mai Tai pra você se sentir no Caribe. A receita original precisa de rum jamaicano e xarope de rock candy, então vamos fazer uma versão simplificada:

  • 1 oz de rum escuro (carta ouro, envelhecido, whatever)
  • 1 oz de rum claro (cristal)
  • 0,5 oz de curaçau (não use o blue, a cor fica bizarra)
  • 0,5 oz de orgeat
  • suco de meio limão

Basta bater todos os ingredientes numa coqueteleira, menos o rum escuro. Sirva com bastante gelo em um copo baixo ou uma caneca tiki se tiver, e então flutue o rum escuro sobre o drink, usando a parte de trás de uma colher pra não misturar tudo. Eu gosto de usar um ramo de menta e uma rodela de limão de garnish, mas pra recriar mesmo o estilo tiki pode botar guarda-chuva, flor, abacaxi, cereja, o que tiver aí.

Se tivesse mais um guarda-chuva, implodiria e viraria um buraco negro.

Experimentar outros drinks com orgeat é bastante divertido. Faça um sour, tente tirar algo mais seco numa taça de martini, ou misture com uísque e licor de café. Quando estiver mestre, quem sabe você não inventa seu próprio tiki drink?

 
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Publicado por em novembro 28, 2011 em Infusões, Rum

 

American Way of Drinking: tomando Bourbon

Acho que todo mundo conhece uísque. Balada sempre tem um Black/Red Label e um energético pra misturar né? E ficar muito louco? Se você leu isso e se identificou, sugiro comprar um uísque, misturar energético a gosto, e depois se jogar de um precipício.

Só não é pior do que vodca com tônica.

Mas você não quer beber uísque com energético. Você quer dar um passo além, e não só beber algo de qualidade, mas saber o que está bebendo e por quê.

Whiskey

Não existe só “whiskey”. Existem mil tipos de uísque, que originalmente variavam de acordo com o local onde eram produzidos. Os tipos mais famosos e mais usados na coquetelaria são o scotch, de sabor mais forte e geralmente bastante envelhecido, o rye, feito de centeio e mais doce embora mais “quente”, e o bourbon, que é o menos envelhecido e mais suave. É desse último que esse post vai tratar.

O bourbon é definido nos EUA como um uísque produzido com pelo menos 51% de milho, nos EUA, e envelhecido em tonéis novos de carvalho queimado. A maior parte dos bourbons (tirando os muito toscos) é feita com mais de dois terços de milho e envelhecido por pelo menos 4 meses. São produzidos sem adição de corantes ou aditivos. Isso resulta numa bebida de sabor forte, que queima um pouco a garganta, e com um sabor suavemente “defumado” (típico de bebidas envelhecidas em barris de carvalho). O bourbon é considerado por muitos a bebida nacional americana, e é muito produzido nos estados de Kentucky e Tennessee.

Os drinks com bourbon costumam ter poucos ingredientes, que balanceiam as características do uísque sem tirar o foco do ingrediente principal.

Drinks

Já conhecemos nossa base, agora vamos conhecer o que dá pra fazer com ela. Primeiramente, um dos jeitos mais simples de apresentar uma base nova: um sour. Lembra dele? Base, limão e algo doce? Pra balancear o sabor forte de um bourbon (se for scotch, mais forte ainda), precisamos usar umas medidas generosas dos mixers:

  • 2 oz de bourbon, scotch ou rye
  • 1 oz de suco de limão (siciliano, se usar limão comum use um pouco menos)
  • 0,5 oz de xarope simples

Se quiser, adicione uma cereja ao maraschino e uma rodela de laranja ou limão. Fácil não? O Whiskey Sour é um dos drinks mais clássicos da coquetelaria, como a maior parte dos drinks com bourbon, que nasceram junto com o estudo da área. Fazendo um desses você está bebendo uns 80 anos de mixologia. E que delícia de 80 anos.

Roubado da internet pra ninguém ver meus copos feios.

Agora que já conhecemos nossa base, é hora de fazer coisas mais complexas. Que tal adicionar um vermute?

  • 2 oz de bourbon
  • 0,5 oz de vermute doce (tinto)
  • 0,25 oz de licor de maraschino (de verdade, não aquele do vidrinho de cereja)
  • 2-3 gotas de Angostura
  • Twist de laranja de garnish

Vermute tinto é um mixer natural pro bourbon, realçando os sabores e balanceando a força do uísque. O licor de maraschino dá um sabor doce e levemente mentolado pro coquetel, e o garnish da aquele aroma cítrico. Faz justiça ao nome: Deadly Sin.

Usei um twist de limão devido à falta de laranjas. Laranja fica melhor.

Pra fechar com chave de ouro, temos aquele que é o carro-chefe dos drinks com bourbon: o Old-Fashioned.A receita clássica é só bourbon, açúcar e Angostura, mas eu tenho uma variação pessoal que acho sensacional:

  • 3 oz de bourbon
  • 0,5 oz de xarope de mel (uma colher de mel e uma de água misturadas até dissolver)
  • 3-4 gotas de Angostura
  • Uma rodela de laranja

Mais doce do que o original, minha versão aproveita a sinergia entre mel e bourbon. Coloque o xarope de mel, a rodela de laranja, e as gotas de Angostura em um copo de uísque, e amasse com um muddler algumas vezes. Adicione o bourbon e gelo, e mexa.

Quem não gosta de uísque nunca tomou um desses.

Agora que já conhecemos o bourbon e seus mixers (mel, limão, bitter, vermute, maraschino), hora de criar seus próprios drinks. Procure combinar com o objetivo de realçar o uísque enquanto reduz aquela sensação de queimação na garganta. Muito melhor que energético, não?

 
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Publicado por em novembro 21, 2011 em Bourbon

 

Aprendendo com os mestres: Hop Toad Cocktail

Nesse post vamos conhecer um pouco de história da coquetelaria, e uma versão pessoal de um drink clássico.

Esse moleque deve ter virado gângster.

Proibição

Os EUA são famosos por inventar (ou dizer que inventaram) muita coisa, e uma muito importante é a cultura da coquetelaria. No século 19, os americanos bebiam muito. Muito mesmo. Em 1830 os americanos bebiam em média 1,7 garrafas de álcool POR SEMANA. Quando eu digo álcool não é cerveja tosca não, é hard liquor – uísque na maior parte. Nessa época existia uma indústria de álcool crescente, muita gente fazendo coquetéis, e muitos produtores caseiros de bebidas de vários tipos. Paraíso da mixologia, não tanto pra saúde pública.

A partir de 1840 movimentos políticos passaram a defender a proibição do álcool, com alguns estados saindo na frente e proibindo o consumo/produção de álcool. Finalmente, em 1920, a décima oitava emenda da constituição americana proibiu a produção de bebidas com mais de 0,5% de álcool por volume, ou seja, todos os tipos de bebidas alcoólicas existentes. Não precisa nem dizer que a coquetelaria foi pro saco.

Os bares famosos fecharam, a indústria morreu, e quem fazia sua bebida em casa virou criminoso. Surgiram bares escondidos que serviam bebidas de baixíssima qualidade (gin, pois uísque era difícil de produzir devido ao envelhecimento). O crime organizado ganhou força com o contrabando de bebidas, e as taxas de crime no país aumentaram loucamente.

Demorou até 1933 para a Proibição ser derrubada com outra emenda constitucional, e começou o ressurgimento da indústria (embora algumas como a de vinho jamais tenham se recuperado) e a volta da coquetelaria. Em 1935, A.S. Crockett lançou um livro para resgatar os drinks que vieram antes, baseado no manual de bar do famoso Waldorf-Astoria Bar.

Waldorf-Astoria

Um dos hotéis mais famoso de NY, o Waldorf-Astoria tinha um bar frequentado por figuras famosas como Buffalo Bill. Nas coqueteleiras desse bar surgiram drinks famosos até hoje, e outros que embora não tão famosos são incríveis, como o Hop Toad Cocktail.

O Hop Toad Cocktail original, segundo Crockett, é composto por suco de limão e brandy de damasco. Bem, brandy de damasco é um pouco difícil de achar hoje em dia, então eu preferi usar a versão descrita pelo Gary Regan (no Joy of Mixology, que eu já exaltei em posts anteriores), e trocar o brandy por licor:

  • 1,5 oz de rum escuro (usei Bacardi Gold)
  • 1 oz de licor de damasco
  • suco de meio limão siciliano
  • 3 gotas de Angostura

Ficou tão bom que bebi tudo antes de fotografar. Esse é roubado do Google.

Minha versão usando licor fica consideravelmente mais doce do que o original, com brandy. Se você prefere algo mais seco, pode usar mais rum e menos licor, ou limão comum (que é mais azedo) no lugar do siciliano. Não recomendo exagerar na Angostura, pra não perder o damasco no meio de todos os aromas do bitter.

Concluindo o post, recomendo o livro para amantes de história, ou coquetelaria, ou ambos. Além de drinks clássicos e histórias engraçadas, o livro é perfeito para fazer suas experiências mixológicas sobre receitas famosas. Ler, fazer, fazer diferente, aprender o que deu certo e errado, e postar num blog: story of my life!

 
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Publicado por em novembro 12, 2011 em Rum

 

De torta a bebida: Cavaleiro Sem Cabeça

Esse último fim de semana foi Halloween. Embora a cultura não seja muito difundida por aqui, a internet lotou de fotos de festa a fantasia, doces e travessuras, e abóbora. MUITA abóbora.

Halloween

Halloween, ou All Hallows Eve, é uma festa de mudança de estação. Tem infinitos eventos modernos que tem como origem troca de estações, épocas de colheita, e coisas do tipo. Halloween tem tudo isso, e deve ser na época da colheita de abóbora, porque por Jason como tem comida com abóbora nessa época. Uma delas, a mais clássica, é a torta doce de abóbora, com canela, cravo, e uma renca de especiarias. É nesse prato que eu me inspirei pra fazer um drink de Halloween: abóbora, doce, e aromática. Só pode ser bom.

Esse aí já tomou uns Mojitos.

O drink

Primeiro passo óbvio foi arrumar a abóbora. Eu comprei uma porção já cortada em cubos pra facilitar a vida, e depois cozinhei e bati no liquidificador até virar um purê (pode precisar de um pouco de água). Pra dar o toque aromático, usei um rum escuro (Bacardi Gold) infundido por uns 40 minutos com um pedaço de canela em pau. Se puder, deixe mais tempo, mas 40 minutos já foi suficiente pra passar o aroma. Seria legal usar outros temperos também, como cravo, pimenta-da-jamaica ou gengibre, mas se não quiser complicar canela já fica ótimo.

Pra adoçar e dar um toque de baunilha (pra mim torta e baunilha são inseparáveis), você pode usar um licor normal de baunilha. Eu preferi usar Licor 43, uma bebida dourada que tem um sabor sensacional, começando em licor de laranja e chegando até um aftertaste de baunilha muito interessante. Se tiver use, se não tiver compre e use porque é sensacional. Combinando tudo temos:

  • 2 oz de rum com canela
  • 0,75 oz de Licor 43
  • 1 oz de purê de abóbora

Só misturar tudo numa coqueteleira com gelo e bater até ficar bem gelado e o purê se dissolver bem no drink. Eu servi em uma taça de martini, mas usar caldeirões em miniatura seria ideal. De garnish, bem, é de Halloween o drink não?

Eu ainda tentei por fogo na cabeça, mas não obtive sucesso.

Fácil não? O sabor final do Cavaleiro Sem Cabeça ficou sensacional, bem diferente de drinks comuns. Variações interessantes poderiam usar um uísque envelhecido no lugar do rum e um licor com mel (Southern Comfort ou Drambuie) no lugar do 43.

Alguma outra idéia pra drinks sazonais como esse? Posta nos comentários o que vier na sua cabeça, quem sabe no próximo post não fazemos o seu drink?

 
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Publicado por em outubro 31, 2011 em Infusões, Rum

 
 
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